Cartas ao tempo

Literário e simples.

por @leylelis.

Dia de fazer propaganda em caixa alta: GANHEI UM PICOLÉ!

Sabe aquela sensação de você “estar fazendo parte” (no gerúndio de telemarketing mesmo) de uma campanha de publicidade espontânea? Foi o que aconteceu comigo hoje, durante a volta de uma oficina de rádio web do PROJETO DISSONANTE em Londrina, na vila cultural ALMA LONDRINA. Primeiro, não é todo dia que a gente viaja de TAM. No meu caso, assim como dirijo em terra um VW GOL para cima e para baixo, nas aéreas também “voou” de GOL constantemente, por ser mais barato. E não é elogio, pois n@ Gol, por ser FLEX, faz de tudo para compensar os gastos, até mesmo usar combustível batizado, ou oferecer uma humilhante bolachinha PARATI aos seus ocupantes (que, se fosse o carro, já estaria fora de linha).

Então, uma vez na TAM tudo é mais chique, inclusive os atrasos e o longo e injustificável intervalo de 3 horas entre a troca de aeronaves em uma conexão pouco corriqueira entre CONGONHAS E BRASÍLIA. Mas deve ser o tempo que eles deixam de garantia, para que os atrasos não atrapalhem o transfer entre um avião e outro. Porém, se o voo atrasa, o comandante da TAM é bem mais educado do que outra empresa, e pede desculpas sempre, sempre mesmo, que isso ocorre. Pelo menos, eu peguei dois AIR BUS, e nos dois ouvi o mesmo discurso. Isso sim é um padrão de qualidade ISO 9001.

Bom, mas de volta ao mercado publicitário do início da conversa, eu tive que tirar aquela foto a lá POBREGRAM do dia para provar que fui de TAM. (Ver foto abaixo). Usei, para tanto, o meu potente pré-histórico NOKIA N95 8G recondicionado por mim com peças MADE IN CHINA (meu grande parceiro individual atualmente). Ah, errei no objetivo da foto, pois só a GOL destina uma página (meio estilo ORKUT) na sua revista mensal para receber fotos tiradas pelas pessoas durante o embarque (em uma área do aeroporto que tem proibição do uso do celular ou outro equipamento eletrônico durante o trajeto portão de embarque e aeronave. Vai entender).



Ok, ok… a relação entre empresa e cliente na TAM é melhor. Não tem PEPSI, a COCA é das boas, e pude presenciar um momento inédito: A NESTLÉ também resolveu se juntar à equipe para refrescar o paladar e a cabeça dos passageiros, que tinham esperado quase uma hora de “delay” operacional no domingão. A TAM dá biscoitinho de lanche? Que nada! Anunciaram no sistema de som SORVETE, moleque doido! (expressão nossa).

Pronto, pensei que, graças a MURPHY, não poderia lanchar sorvete (mesmo sem ter tido tempo para almoçar ainda), por causa de minha intolerância a tal lactose. Então, eis que abri um sorriso de ponta a ponta, quando descobri que se tratava de picolé LA FRUTTA “nos sabores de LIMÃO, GOIABA, LIMÃO LIGHT, GOIABA LIGHT…” (afinal, alegria de pobre é fazer DIN-DIN de KI-SUCO). Nesse momento, tive certeza do caráter midiático do meu dia e me lembrei de um comercial que está sendo veiculado atualmente na TV de uma menina que comemora:

- Ganhei! Ganhei um picoleeeeé! (após encontrar um palito premiado entre centenas)

Já eu, não. Eu ganhei 1 em 2 da aeromoça. Vejam essa foto como prova cabal:

Bom, é isso. Vai um DIN-DIN extra de abacaxi?

Acho que a TAM, em breve, lançará um novo programa de milhagem: troque 10.000 palitinhos de picolé premiados por uma viagem até CALDAS NOVAS de KOMBI, ou por um maravilhoso par de HAVAIANAS ecológicas fixadas com pregos de aço aquecido em fogo baixo.

Essa publicação tem o oferecimento da TAM, NESTLÉ e do bobão aqui que só consegue ganhar, inteiramente “de grátis”, hematomas e raspadinhas de um real (após a segunda tentativa).

Eu vi Brasília num redemoinho*

Eu vi a terra vermelha jorrar poeira para o céu, que nem um géiser.

Era para ser um redemoinho.

Nunca vi um géiser ao vivo, mas já vi muitos redemoinhos.

A poeira…ela não rodopiava como o saci rodopeia em nosso imaginário.
Mas jorrava pro alto como o esguicho de uma baleia azul.

Era plena seca, em plena Brasília, em meio ao ritmos e ruídos musicais do planalto,
em meio ao asfalto e em meio a velocidade de seus carros.

Chegava a ser tenembroso ver o chão cospindo poeira, como num manifesto de furia contra sua própria essência. Parecia um aviso, que nem a própria cidade iria aguentar sua sequidão.

Era um redemoinho, sim.
Não subia água efervescente como géiser, também não girava como um furacão.

Eu vi foi um redemoinho metido a besta.
Eu vi um géiser metido a redemoinho.

Eu vi a síntese de Brasília.
Eu vi.

*Era pra essa carta chegar antes, mas como o Correios entrou em greve, a carta da Seca foi chegar somente em meio a muita chuva.

Máquina acoplada

O futurismo chegou, tão rápido. Passou e nem o percebemos.
Ficaram suas máquinas, enfileiradas, carburizadas e possantes.

Quando crianças, miniaturas e pequenas distâncias eram grandes aventuras.
Hoje, fazemos grandes percursos, tão mecanicamente.

Em alguns picos, pequenos deslocamentos tornam-se eternos.
O que se dizia liberdade, sair por aí, trava-se eletricamente na entrada.

Os vidros sobem e o ar esfria.
Acoplamo-nos a incrível máquina de rodar.

Pés, grandes ou pequenos, ajustados para pressionar, soltar e repetir.
Para…segue…até o destino ou o GPS apontar.

Ao chegar, paga-se uma conta ou trabalha-se.
Mas logo se volta ao mecanismo.

Pisando fundo, engata-se uma terceira
na torcida para não engarrafar.

Mas, não bastando, para desacoplar de toda tensão,
a gente ainda enche o porta-malas e pega a estrada.

Jogo amistoso

Na foto, a Sombra e o Concreto resolvem disputar uma partida amistosa.

De um lado, o sol, os holofotes e a relva quase seca - escolhida por último, juntam-se ao Concreto. Formam o time do Brilho, da Glória e do Progresso.

Na equipe da Sombra, posicionam-se salas de estudo, a grama fresca e a brisa.
São jogadores da Intelectualidade, do Ócio e da Criatividade.

Enfim, inicia-se a partida. Tudo evolui bem, mas passa-se o tempo e, como tudo na vida, as coisas mudam de lugar. Segundo tempo, novas composições:

A Sombra toma os holofotes para si, faz um acordo que esfria o Concreto, e permite a relva que se torne mais convidativa ao descanso. Um novo time surge, do Progesso Ocioso e sem Glória.

Ficam as salas de estudo, a grama e a brisa. O Sol vem, expulsa a brisa, e seca a grama. Sobram para as salas de estudo toda a intelectualidade, a criatividade e o brilho. Fim de jogo amistoso, início de uma competição nada interessante.

Fria é Brasília

No meio Oeste catarinense, as mãos gelam e o cérebro pouco processa o frio de 5°. Pouco árduo, mas contrastante para um morador de um outro oeste central, do qual predomina a seca. Ainda que houvesse boas frases a se escrever em um papel, qualquer palavra sairia torta em meio a garranchos. Ainda bem que esse mesmo frio que não chega a congelar, pode ser descrito em um computador.

Se não fosse a preguiça, falaria de como é bela a geada ao amanhecer, ou como é bom tomar um chocolate quente antes de dormir. Talvez narrar a sensação de deitar e esquentar os pés sob os lençóis, ou calçar meias e vestir calças compridas para se agasalhar. Não dá para não ser bom. O frio sempre é convidativo.

Porém, a gente se sente um pouco estranho no ninho, quando é a arquitetura e a fuligem acizentadas que costumam marcar nosso dia-a-dia.

Aqueles que visitam Brasília, acham estranho seu clima e sua gente. A gente, quando sai do quadrado, passa a achar o contrário, que é tão natural toda essa estranheza. A retidão angustiante, a vegetação torta e o caos de um lugar tão planejado nos acalma. É um sintoma que chamam de Coisas de Brasília, assim como a música:

Vela e Raio

Ninguém consegue apagar a chama do outro;
Mas o outro pode deixar-se apagar.

Ninguém é capaz de se queimar sem fogo;
Mas todos são potencialmente inflamáveis.

O vento faz oscilar a chama em diferentes cores;
Sua falta completa provoca asfixia.

Há aquelas que se apagam antes mesmo de acender;
Há aqueles que ajudam com baldes de água.

Normalmente, uma vela dura o tempo da parafina;
Mas não a permitem queimar totalmente.

Ninguém consegue apagar a chama do outro;
Mas reacender sozinho é quase impossível.

É preciso um raio para se reinventar o fogo.

Terreno baldio

Um pequeno cachorro circulava por entre labaredas. O seu antigo lar tornava-se uma verdadeira caldeira, fervendo gramíneas secas, plásticos e outros objetos entulhados. O cão corria de um canto ao outro, tentando inutilmente marcar o seu território. Infelizmente, a terra ficava mais vermelha e viva a cada segundo.

A queimada se alastrou e atingiu um hospital vizinho. Logo, a fumaça atrapalhou um helicóptero que fazia imagens do incêndio. No erro do desvio, o piloto acertou uma torre de celular, e despencou sobre um posto de gasolina. A explosão tomou conta de casas próximas e do noticiário nacional. Bem perto do terreno incendiário, um batalhão do corpo de bombeiro lamentava a impossibilidade de lutar contra tamanha devastação.

Para o cachorro, foram trinta minutos de angústia desde a primeira chama causada por uma bituca jogada por um bombeiro antes de bater ponto no trabalho.

#10

Melhor contar de 1 a 10 do que se estressar…1, 2, 3, 4, 5 …. e #10.
Mas bem melhor é escrever até  dez do que contar.

#9

Tem graça alguma fazer algo
achando que ele vai ser o ó
do borogodó? Acho que não, né. 

Então, tenha dó.

#8

Quero crescer e ser vendedor de codorna,
Mas minha mãe mandou eu ser doutor.
Então, escolhi ser veterinário.